“Rimas e Batidas”: hip hop no presente

Na rádio Antena 3 (Portugal), emite-se de 2ª a 6ª a rubrica “Rimas e Batidas”.

Da autoria de Rui Miguel Abreu, o programa tem abordado alternadamente Batidas sem rimas e Rimas com batidas, essa poesia cantada em forma de hip hop.

Desde 26 de Set 2016, fizeram-se mais de 1200 episódios até à data, com duração aproximada de 5 minutos por episódio.

O programa leva-nos ao sítio Rimas e Batidas, de que é director e editor o mesmo Rui Miguel Abreu. Rimas e Batidas.pt apresenta-se como

revista digital sobre música criativa e desafiante: a que se estende entre o hip hop e a electrónica, entre África e o jazz, entre a dança e a contemplação e mais além.

 

“Poesia pros ouvidos” podcast de poesia brasileira

“Poesia pros ouvidos” é um podcast de “poesia brasileira contemporânea por seus autores”.

Gravações dos poemas nas vozes dos autores.

Podcast de Rodrigo Luiz P. Vianna ( https://www.instagram.com/folk3/ )
Seleção e edição de Michaela Schmaedel ( https://www.instagram.com/michaela_schmaedel/ )

Mais informações no perfil do instagram https://www.instagram.com/poesiaprosouvidos/

Pode (e deve) ser escutado aqui

 

Podcast Vox Lit – Episódio 1

Depois do programa piloto, estreou recentemente o primeiro episódio do podcast Vox Lit:

Vox Lit é o podcast (de carácter mensal) que dá a ouvir a voz das materialidades da literatura. Um desafio entre exploração e divulgação da nossa constelação matliteana.

Episódio 1:
Hipoglote
Exercícios Experimentais
Léxico (Parte 1: Grão)
Comprimido de Leitura
Léxico (Parte 2: Cyborg)
Vozes de Gil Vicente
Matéria de Escuta

Montagem: Mafalda Lalanda, Nuno Meireles, Elena Soressi, Tiago Schwäbl, com Jaqueline Conte e Jordan Eason.

estreia a 3 de maio: podcast VoxLit

No dia 3 de maio de 2021 estreará o episódio piloto do podcast VoxLit no canal do YouTube de Vox Media: A Voz na Literatura que assim, desta forma sonora, se estreia também.

VoxLit é uma iniciativa Vox Media com participação ativa de outros estudantes e doutorados do Programa Doutoral FCT em Materialidades da Literatura.

Uma voz, logo de início, dirá aos ouvintes

Vox Lit é o podcast que dá a ouvir a voz das materialidades da literatura. Um desafio entre exploração e divulgação da nossa constelação matliteana. 

Neste espaço sonoro, de destaque e de memória, procuramos reverberar as matérias com que lidamos diariamente.

Procuramos que as nossas tão variadas áreas de investigação ecoem em ouvidos próximos e distantes.

Vox Lit nasce de uma vontade que se quer vocalizar a longo prazo. Este é, contudo, o nosso primeiro lançamento. O podcast zero, o podcast piloto.

O podcast Vox Lit.” 

 

Durante vinte minutos (aproximadamente), em VoxLit, escutaremos rubricas tão diversas como “Comprimido de leitura”, “Vozes de Gil Vicente” e um renovado “Hipoglote”, além de se perspetivarem experiências sonoras, leituras de poemas, ensaios e de outros textos.

“Rubato” – Hipoglote de 23 de Nov. 2020

Nesta emissão de Hipoglote, Tiago Schwäbl apresenta-nos narrativas, parábolas, ensaios, com vozes e línguas diferentes. Interrompem, suspendem e alteram-se músicas, vozes e vários pensamentos, muitas vezes dedicados ao tempo, à velocidade, à duração.

“Rubato” será originalmente o tempo musical roubado. Especularemos a quem será roubado. Talvez seja ao discurso do autor, feito de citações e regularmente interrompido.

Pode ser escutado aqui: https://www.rtp.pt/play/p6503/hipoglote 

 

Uma voz, várias vozes ou “O Essencial sobre Alberto Caeiro”

  1. Remediação/condensação

A série de podcasts “O Essencial Sobre…” parte da coleção homónima da editora Imprensa Nacional. Em pouco tempo (entre 10 e 20 min. em média) é-nos lida a descrição da vida e obra de determinado autor, que pode ser Miguel Torga, José Régio, Irene Lisboa, André Falcão de Resende ou Fernando Pessoa, entre outros.

É uma óbvia condensação do texto publicado, tanto na sua extensão como nos dados que são divulgados. Procura-se um certo biografismo, abdicando de linhas interpretativas ou críticas, que caracterizam (e bem) o projeto do livro, muitas vezes escrito por especialistas como no caso de Maria José de Lancastre acerca de Pessoa, no podcast em causa.

Não sabemos quem faz a condensação ou adaptação do livro para os sucessivos podcasts, ou seja, ignoramos quem selecionará o texto a ser dito (ou lido) daquele outro texto publicado antes em página impressa.

Das duas séries de programas, primeiro em difusão pela RTP/Antena 2  e, a seguir, somente no sítio da Imprensa Nacional (e por vezes no vimeo), noto que a substância será diferente, assim como a sua mediação. Na segunda série parece ser mais valorizado o teor ensaísta dos livros de base. Por outras palavras, não se assenta unicamente na descrição do percurso de vida como se ouvia nos programas anteriores. Sem cotejar os livros com os podcasts, permaneço incerto acerca desta intuição ainda que soem diferentes as duas séries, em substância textual e vocal. Proponho que vejamos um caso em que essa diferença e mediação nos evidencia algo de relevante.

2. “O Essencial Sobre Alberto Caeiro”

Alberto Caeiro é o tema do mais recente podcast, de 3 de Novembro de 2020.

A voz da nova série pertence a Tânia Pinto Ribeiro e informa – quase no fim dos 12 minutos e 30 segundos do podcast – que o programa “teve por base” o livro de Maria José de Lancastre, acerca de Fernando Pessoa. “Teve por base” é ainda a fórmula com que terminam estas sínteses radiofónicas dos vários títulos e nada distinguirá nesse guião este programa dos anteriores. No entanto, trata-se de um biografado inexistente, pois Alberto Caeiro, como sabemos, nunca existiu. Assim como nunca existiu “O Essencial Sobre Alberto Caeiro”, senão por via deste podcast.

Esta emissão parte de “O Essencial Sobre Fernando Pessoa”, daí particularizando Alberto Caeiro: o heterónimo terá sempre que ser visto em relação com Pessoa. O podcast extrai deste modo um autor de outro autor, um “Essencial” de outro “Essencial”. Falando de Fernando Pessoa dá voz a Caeiro.

Temos portanto uma mediação bem diferente. Pessoa já tivera direito a um programa anterior, com características (vocais e textuais) bastante diferentes, em género e multiplicação. A voz narradora era de João Almeida e a voz emprestada às citações foi de André Pinto (com realização da mesma Tânia Pinto Ribeiro).

Como falar de um autor que não existe? Como dar voz à biografia de uma personagem de ficção? Temos a descrição que faz dele a autora do livro (Maria José de Lancastre) com quem se confundirá a voz de Tânia Pinto Ribeiro. Poderíamos pensar que é a mesma pessoa, ao escutarmos. O tom é informativo, declarativo, a voz é clara no seu som e passiva no seu discurso. Todavia, altera-se em partes específicas, no que será uma citação, quando um eu está presente, implicado: o enunciado por Pessoa e por Caeiro. E como será vocalmente a citação acerca de Caeiro? Ouvimos a mesma voz, mas mais próxima, numa qualidade diferente de gravação, mais presente.

Não posso deixar de pensar que aqui convergem aspetos “essenciais” de Pessoa/Caeiro. É a mesma voz afinal, mas mais clara, próxima, presente. Num outro tempo de edição, registo, gravação. De algo que não existe, nem em livro inteiro, nem em biografia como a conhecemos, surge uma voz, mais perto de nós, mais clara.

Cita-se no programa a afirmação de Pessoa a Sá-Carneiro, de que teria aparecido diante de si o seu mestre ao escrever os primeiros poemas de Alberto Caeiro. Com a reserva que nos merece a auto-ficção das declarações de Pessoa, parece-me que este podcast revela e replica isso mesmo. Uma voz com outras vozes dentro, que “aparecem” ainda mais reais e próximas que a sua.

Não será precisamente isto o seu essencial?

Hipoglote de 16 de Nov. 2020 “Armas e linguagem”

Nesta emissão de Hipoglote, Tiago Schwäbl percorre guerras e pós-guerras. 

Apresenta-nos ora uma narrativa, ora ensaio, em colagem de sons, músicas, palavras, de músicas, poetas, filmes, depoimentos.

A realidade e ficção misturadas em várias línguas, idades e media, entre silêncios e a voz do próprio autor do programa.

 

Pode ser escutado aqui:

https://www.rtp.pt/play/p6503/hipoglote