Conferência de Felipe Cussen sobre GLOSSOLALIA E POESIA SONORA

Por razões que se prendem com agendas muito saturadas, as conferências do VOX MEDIA só irão ser retomadas neste mês de maio. Assim, no próximo dia 23, pelas 18h, Felipe Cussen, membro integrante do projeto, académico e poeta experimental chileno com uma obra e intervenção de largo espectro, fará uma conferência sobre “Glossolalia e Poesia Sonora”. Deixamos aqui um resumo da conferência:

El Canto VII de Altazor de Vicente Huidobro es uno de los ejemplos más relevantes de la glosolalia en la poesía hispanoamericana. En esta charla, comentaré algunas versiones sonoras y musicales (a cargo de Jaap Blonk y el grupo Quilapayún) de esta obra, así como una versión propia en la que intento reflexionar críticamente sobre el carácter “universal” de los lenguajes inventados.

Recordamos que ainda recentemente, em 2023, Felipe Cussen recebeu o prémio para o melhor livro de Investigação e Humanidades, outorgado pelo Ministério das Culturas do Chile ao volume La oficina de la nada: poéticas negativas contemporâneas.

As conferências do VOX MEDIA pressupõem inscrição prévia. Os interessados devem usar para esse efeito o endereço oms.fluc@gmailcom, informando sobre a sua filiação institucional.

Conferência de Mafalda Lalanda sobre audiolivros

A próxima conferência do projeto VOX MEDIA. A Voz na Literatura, caberá a Mafalda Lalanda, terá como título “Escutar além da página: Sobre a experiência literária do audiolivro em Portugal” e decorrerá no dia 15 de fevereiro pelas 18h, por Zoom.

Apresentamos um resumo da conferência:

O audiolivro não é uma novidade, mas também já não é o mesmo. No século XXI, caminhar na rua com auscultadores nos ouvidos emparelhados num smartphone é cada vez mais recorrente, bem como a presença das vozes sintéticas. Contudo, e apesar de a leitura com os ouvidos contar com cerca de século e meio de história (desde as máquinas falantes às plataformas de streaming), ainda se reviram os olhos quando alguém afirma ler um audiolivro. Afinal, onde e como tem circulado o audiolivro em Portugal? E como é que a passagem para o digital terá afetado a experiência literária? A partir do levantamento em curso de obras lançadas por projetos acústico-editoriais nacionais pretende-se acompanhar a expressão do CD, MP3 e streaming, recontextualizando tais opções nas suas condições tecnohistóricas e socioeconómicas. Uma comunicação que resulta de uma análise retrospetiva do trabalho desenvolvido até ao momento no âmbito do projeto de investigação “A escuta como leitura aural: a medialidade literária do audiolivro”.

Mafalda Lalanda (Coimbra, 1995) é doutoranda em Materialidades da Literatura na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e bolseira FCT (2021-2025) com o projeto de investigação «A escuta como leitura aural: a medialidade do audiolivro». Licenciou-se em Português (2016) na mesma instituição de ensino e concluiu o mestrado em Edição de Texto (2018) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Do seu percurso interdisciplinar, e propício à escuta, fazem parte o Conservatório de Música, a Royal Academy of Dance e a Rádio Universidade de Coimbra, mas também a edição independente. Desde a página impressa às ondas acústicas, tem-se desafiado a pensar com os ouvidos e a explorar os caminhos da auralidade. Atualmente tem marcado presença em colóquios nacionais e internacionais, frequentado formações académicas e participado em projetos de investigação baseados na experimentação artística. Com Elizama Almeida, levou para a rua o projeto Autos sem Fé (2023) – um ciclo de leituras encenadas a partir da vocalização do arquivo referente às mulheres condenadas pela Inquisição em Portugal (TAGV & 23 Milhas).

Recordamos que as conferências do VOX MEDIA pressupõem inscrição prévia no formulário abaixo.

ciclo Voz e Auralidade nas Artes Performativas

Coimbra, 7 – 10 fevereiro, TAGV

voz à boca de cena, voz de cena à boca e cena de voz à boca

O ciclo Voz e Auralidade nas Artes Performativas constitui uma mostra de manifestações artísticas onde se exprime a diversidade do suporte da linguagem no âmbito do que se tem vindo a designar como teatro expandido, explorando gestos vocais alterados pela exigência de uma escuta que antecede o falar. Este exercício traz a jogo as variantes da voz em cena, numa dinâmica combinatória que compreende as suas diversas extensões: voz à boca de cena, voz de cena à boca e cena de voz à boca, consoante o foco das propostas artísticas. Tais mutações definem a razão de ser deste ciclo que, antevendo a multiplicidade destas práticas, se apresenta sob a forma de espetáculos, instalações, passeio sonoro, debate e edição.

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Conferência de Pedro Serra sobre a voz de Paul Celan

Como aqui anunciámos, a segunda conferência do ciclo atual de conferências do VOX MEDIA deveria ter sido a de Pedro Serra, com o título “Arqueofonia Revisitada: o caso da voz de Paul Celan”. O ataque de que este site foi vítima inviabilizou, porém, a realização da conferência na data prevista, no mês de janeiro. Informamos, pois, que a conferência terá lugar no próximo dia 8 de fevereiro, pelas 17h, via Zoom.

Eis um resumo da conferência:

É intrépida e precisa a peça textual – «L’ayant écouter lire», congregando apenas trezentas e trinta e uma palavras – que o autor de L’encre de la mélancolie, Jean Starobinski, dedicou a Paul Celan. A começar pelo título da versão original da nótula, singular na sua composição e género, onde se esperariam as determinações discursivas da necrologia. Eis a singularidade de «L’ayant écouter lire»: é e não é um obituário. Uma mudança aproximativa e literal para a língua portuguesa do título poderia ser «Depois de escutá-lo ler» ou «Depois de o escutar ler». Contudo, não satisfaz plenamente por várias razões. A forma verbal «L’ayant», particípio presente do verbo avoirter ou haver –, não já na sua inscrição escrita, mas na sua dimensão sónica, atrai outros vocábulos e semas. É o caso de ‘léant’, que significa ‘apoiado’ ou ‘inclinado’. Ou, ainda, quer ‘liant’, com o sentido de ‘aglutinante’; quer ‘lient’, podendo ser traduzido por ‘união’ ou ‘enlace’, admitindo inclusive a declinação de número: ‘enlaces’, ‘uniões’. Escrita no intervalo do luto pelo poeta que se suicidou – amigo e também confidente de Starobinski, a que não foi alheia a sua condição de psiquiatra –, a pregnância diabólica do título que lhe foi concedida, como argumentarei, é tão-só uma amostra mínima das dificuldades e emperros das 331 palavras atraídas para o campo de forças relativamente autónomo do texto.

Pedro Serra (1969) é Professor Catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira na Universidade de Salamanca, onde é responsável da Área de Filologia Galega e Portuguesa, coordenador da Cátedra de Estudos Portugueses IC/USAL e da Cátedra de Estudos Galegos XUNTA/USAL. Investigador Principal do GIR em EstudosPortugueses e Brasileiros – que integra o Colaboratório Europeu de Estudos Brasileiros COLEEB –, é membro investigador do grupo HELICOM (Autónoma de Madrid), do CRIMIC (Sorbonne), do CLP (Coimbra) e do ILC (Porto). Dirige, no Departamento de Filologia Moderna, o mestrado em Estudos da Ásia Oriental MELYCA.

Recordamos ainda que as conferências do VOX MEDIA pressupõem inscrição prévia. Segue-se o formulário de inscrição na conferência.

Annita Costa Malufe, novo membro do VOX MEDIA

O projeto VOX MEDIA. A Voz na Literatura conta com um novo membro na sua equipa. Trata-se de Annita Costa Malufe, professora universitária e poeta.

Annita Costa Malufe é investigadora na Universidade de Salamanca (Contrato María Zambrano), junto ao Grupo de Investigación Reconocido Estudios Portugueses y Brasileños. No Brasil, é bolseira Produtividade em Pesquisa do CNPq e docente do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária da PUC-SP, onde orienta teses desde 2013. É investigadora colaboradora do ILCML (Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa), da Universidade do Porto, integrando núcleo voltado à performance e poesia. Doutora em Teoria e História Literária pela UNICAMP, é autora dos livros de ensaios: Territórios dispersos: a poética de Ana Cristina Cesar (2006) e Poéticas da imanência: Ana Cristina Cesar e Marcos Siscar (2011), ambos com financiamento FAPESP. Realizou duas pesquisas de pós-doutoramento: na USP, “Traços de Beckett na literatura contemporânea” (bolsa CNPq); e na PUC-SP, “Procedimentos literários em Gilles Deleuze” (bolsa FAPESP). Dedica-se ao estudo de pensamentos poéticos nas interfaces com a filosofia da diferença francesa, em especial Gilles Deleuze, e às interconexões da escrita com a performance e a voz, em autores brasileiros contemporâneos e em escritores de língua francesa, em especial Samuel Beckett, Christophe Tarkos e Georges Aperghis. É autora de sete livros de poemas, dentre os quais, Alguém que dorme na plateia vazia (7letras, 2021). Desenvolveu com o compositor Silvio Ferraz a performance “poema-em-música”, um dos desdobramentos de suas investigações, práticas e teóricas, em torno da voz na poesia.

Para assinalar a sua integração nos trabalhos do projeto, Annita Costa Malufe fará, em julho de 2024, uma das conferências do ciclo que em breve se iniciará. A conferência terá por título “A voz, massa líquida”.

Conferência de Nuno Meireles sobre a representação em Gil Vicente

Em função do adiamento, por motivo de força maior, da conferência com que Nuno Miguel Neves abriria o ciclo de conferências do VOX MEDIA para 2023-24, a conferência de Nuno Meireles, com o título “A Voz que Reescreve? O caso da representação do teatro de Gil Vicente”, desempenhará agora essa função de abertura do ciclo. Recordamos que a conferência terá lugar no dia 19 de dezembro, pelas 18h. Apresentamos em seguida uma sinopse da intervenção de Nuno Meireles:

Falarei de escrita e objetos. Mediações, teatro e vozes. E de encenações.

Um autor escreve teatro. Pode fazê-lo dentro de uma ideia reconhecível de género literário e até de teatro. Por vezes, o autor reescreve esses textos, fazendo várias versões. Compreendemos reescrita como a alteração escrita de algo com existência prévia. No entanto, proponho uma outra noção de reescrita de um texto dramático-literário: reescrita pela voz.

Sabemos que uma palavra pode ter várias entoações, produzindo vários significados. Os significados possíveis multiplicam-se em todo um texto e na sua encenação em palco. Dizendo palavras escritas há centenas de anos, podemos passar de uma ideia reconhecível de género literário e de teatro para outro género e ideia de teatro. Chamaremos a esta proposta de A Voz que Reescreve. Para ilustrar esta sugestão, pegarei no caso do mais representado dos autores em Portugal: Gil Vicente. Aquilo que Vicente escreveu dentro de moldes medievais, tal como assistimos agora, é claramente reescrito pela voz. Não se tocando na forma das frases ou nas palavras, temos muitas encenações (filmadas) a que corresponde um teatro do nosso tempo.

Na forma impressa, Gil Vicente é medieval. Na sua forma representada (agora), é moderno. Falando de mediações, arrisco generalizar: na forma de livro, Vicente é medieval e faz farsas, moralidades e comédias. Na forma de encenações filmadas, é moderno, e fornece palavras para teatro do absurdo ou teatro brechtiano.

Nuno Meireles é Licenciado em Estudos Teatrais – Interpretação (ESMAE, 2001). Doutorado em Materialidades da Literatura (Universidade de Coimbra, 2023. Orientação de José Augusto Cardoso Bernardes) com a Tese “A voz que reescreve: farsas, comédias e moralidades de Gil Vicente lidas com o ouvido em mediação videográfica. Preliminares para um arquivo digital performativo do teatro vicentino”. Foi bolseiro da FCT (2018-2022). Membro Colaborador do Centro de Literatura Portuguesa (FLUC). Tem publicado artigos e feito comunicações sobre o teatro de Gil Vicente, as suas vozes e a encenação contemporânea do autor. Docente em cursos superiores de teatro no Porto. Na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, leciona atualmente História do Teatro, Dramaturgia e Reportório Dramático. Na Escola Superior Artística do Porto, leciona Interpretação.

Estreou-se como ator na Expo 98 com o Teatro de Marionetas do Porto. Participa regularmente em recitais de poesia e em leituras encenadas de poemas. Autor dos textos dramáticos “Casa de tantos quadros” e “Os últimos dias do quotidiano de Helène K.”, foi responsável pela dramaturgia e encenação de “Leixai-me ouvir e folgar – música e drama em Gil Vicente” e “As Obras Completas de Gil Vicente em 45 minutos”. Na Casa da Música (Porto) encenou em estreia nacional “O Grande Enormo – Zaragata em Si Bemol” (Morgan/Pochin) e “Orkestrioska”, ambos dirigidos a um público infanto-juvenil. Tem um projeto a solo, Teatro do Filósofo com o Parvo atado ao Pé, em que parte de textos de Gil Vicente aliando investigação e criação teatral.

Recordamos ainda que as conferências do VOX MEDIA pressupõem inscrição prévia. Segue-se o formulário de inscrição na conferência.

Adiamento

Por razões de saúde, a conferência de Nuno Miguel Neves que abriria a série de conferências do VOX MEDIA para 2023-24 terá de ser adiada. A conferência será de novo agendada, logo que Nuno Neves esteja recuperado.

Conferências VOX MEDIA 2023-24

Anunciámos há pouco o ciclo de conferências do VOX MEDIA para 2023-24, bem como a conferência inaugural por Nuno Miguel Neves. Anunciamos agora os títulos e datas das três conferências seguintes:

Nuno Meireles: “A Voz que Reescreve? O caso da representação do teatro de Gil Vicente”, 19 de dezembro, 18h.

Pedro Serra: “Arqueofonia Revisitada: o caso da voz de Paul Celan”, 12 de janeiro, 18h.

Mafalda Lalanda: “Escutar além da página: Sobre a experiência literária do audiolivro digital em Portugal”, 15 de fevereiro, 18h.

A informação sobre as restantes conferências deste ciclo será comunicada em data próxima. Recordamos que as conferências decorrem em ambiente virtual, exigindo inscrição prévia.

Conferência de Nuno Miguel Neves sobre Poesia Sonora

A primeira conferência do ciclo de conferências 2023-24 do VOX MEDIA terá lugar no próximo dia 29 de novembro de 2023, pelas 18h, estará a cargo de Nuno Miguel Neves e terá como título “La poésie sonore (n’)existe (pas): Ar/quivo, (im)possibilidades e algumas dificuldades”.

Resumo: Entre janeiro e abril de 2023 tive a oportunidade de desenvolver trabalho de pesquisa na área da poesia sonora, nas coleções da Biblioteca Beinecke de Livros Raros e Manuscritos da Universidade de Yale. Proponho-me, a partir do encontro com estas coleções, e a partir de texto de Jean Pierre Bobillot, que empresta o título à presente comunicação, elencar um conjunto de questões que se prendem com as impossibilidades e dificuldades de arquivo da poesia sonora e/ou da sua (sempre (im)possível) (in)definição, mas também com as possibilidades, com as relações interdisciplinares e com a viagem (Henri Chopin dixit) que eles permitem.

Nuno Miguel Neves é doutorado em Materialidades da Literatura com uma tese sobre Poesia Sonora. É também licenciado em Antropologia, área social e cultural, pela Universidade de Coimbra e tem uma Especialização em Estudos Artísticos pela mesma Universidade. Os seus interesses centram-se sobretudo nas questões da voz, poesia sonora, ruído e movimentos de vanguarda. Tem publicações e comunicações sobre poesia sonora e experimental, cultura digital e ainda ampla atuação no domínio das atividades de extensão universitária. Tem vindo também a explorar a literatura marginal e a contracultura no Portugal de 70’s e organizou e editou, em 2022, saíamos em bandos disparando brita, prata, fumos: antologia de João Carlos Raposo Nunes, publicado na Maldoror. Em 2021 foi Leitor do Instituto Camões na Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto, em Luanda. Entre janeiro e abril de 2023 foi bolseiro Ezra Pound na Biblioteca Beinecke de Livros Raros e Manuscritos da Universidade de Yale, EUA. Atualmente é Professor de Estudos Portugueses na Faculdade de Filologia da Universidade de Belgrado e dirige o Centro de Língua Portuguesa na mesma instituição.

Segue-se o formulário de inscrição na conferência.

Ciclo de Conferências 2023-24

O projeto VOX MEDIA. A Voz na Literatura, do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura, irá realizar um ciclo de conferências, a partir deste mês de novembro de 2023, e até ao final do ano letivo de 2023-24. O ciclo de conferências destina-se a apresentar o trabalho realizado até ao momento no projeto, mobilizando os membros que o integram. Estão previstas conferências de Nuno Miguel Neves, Nuno Meireles, Pedro Serra e Mafalda Lalanda, até ao mês de fevereiro (os nomes dos conferencistas seguintes serão indicados em breve) As conferências terão lugar online, via Zoom, e os participantes deverão inscrever-se previamente.

Serão atribuídos certificados de participação.