Novo episódio do Podcast Vox Lit – 6

Vox Lit é o podcast que dá a ouvir a voz das materialidades da literatura. Um desafio entre exploração e divulgação da nossa constelação matliteana.

Vox Lit é uma iniciativa Vox Media com participação ativa de outros estudantes e doutorados do Programa Doutoral FCT em Materialidades da Literatura.

Aqui está o sexto episódio:

As musicalidades da poesia, por Mariella Augusta

Nelson Rodrigues dizia que o que dói na bofetada é o som. O som da humilhação.  Sendo assim, se a ação, ao menos no drama, vale mais do que a palavra, o som valeria mais do que a ação. De fato, Chaplin renunciou às palavras, mas trabalhava de modo obsessivo as suas trilhas. Foi por causa de um som que sua florista pôde confundir um andarilho com um milionário. O som desperta. O mesmo acontece na literatura – os estados de ânimo são construídos pelo escritor, por certo, pelos significados, mas também pelos seus significantes. E todo significante é sonoro.  Ouve-se a palavra até no silêncio – do engenho ou da memória auditiva que começou a crescer ainda no útero.

O texto literário, ainda que em matéria muda, representa um objeto sonoro como acontece à notação musical. Com a diferença de que a música chegou na dissolução da nota e a literatura será sempre uma arte de fonemas.  Cada verso da poesia e cada linha da prosa são construídos como frases musicais. A ideia procura o som que as vai transmitir do mesmo modo que a melodia procura os acordes a fim de realçar ou subverter o afeto harmônico que lhe é intrínseco.

Escritor e compositor escrevem o que ouvem e ouvem o que escrevem: as organizações métricas, as distribuições rítmicas e as construções melódicas que produzem. O escritor, tal como o músico, procura a tensão e o repouso, um tempo dividido e uma colocação vocal por região. Segundo Ezra Pound, os poetas deveriam saber música, ao menos, como a sabe um músico medíocre.

Ocorre que, ao plasmar suas figuras e seus silêncios, o poeta, senhor da palavra escrita, vai deixar nos significantes parte da musicalidade que criou. Não poderá, contudo, garantir que repitam seu timbre, sua região tonal ou sequer quando ela deverá ficar forte e fraca. A materialização dos sons do poema está nas mãos daquele que o lê ou que o declama. Continue reading

Uma nova colaboradora do Vox Media: Mariella Augusta

Dando início a um processo de renovação e alargamento do quadro de investigadores do Vox Media, publicamos hoje o primeiro post de Mariella Augusta, cuja apresentação pode ser visitada aqui. Dadas as suas áreas de competência, que vão do Direito à Literatura e à Música, é fácil perceber que esta colaboradora que nos chega do Brasil contribuirá decisivamente para o novo impulso que o projeto receberá nos próximos meses e de que iremos dando notícias.

Apresentação da revista COLÓQUIO/Letras Nº 209 “A Voz na Literatura” (Zoom)

A apresentação do último número da revista Colóquio/Letras, cuja secção temática é dedicada ao tema “A Voz na Literatura”, terá lugar no próximo dia 15 de fevereiro de 2022, (amanhã) entre as 18h e as 19.30, via Zoom.

A secção temática inclui vários artigos produzidos por membros do projeto “Vox Media: A Voz na Literatura” do Grupo de Investigação “Mediação Digital e Materialidades da Literatura”.

Tópico: Colóquio/Letras: A Voz na Literatura
Hora: 15 fev. 2022 06:00 da tarde Lisboa

Ligação Zoom
https://videoconf-colibri.zoom.us/j/86718640499?pwd=anZuSHNqeTBaV3N1a3pWdmhvZVIvUT09

O Teatro Também Se Lê: Rui Mendes lê Bernardo Santareno

Numa leitura de excerto da peça “O Judeu”, Rui Mendes torna bem claros dos diversos destinatários do monólogo escrito por Bernardo Santareno, assim como uma profissão de fé (devidamente alegorizada) pelo teatro.

https://www.rtp.pt/play/palco/p9556/o-teatro-tambem-se-le-ii-o-judeu-de-bernardo-santareno?fbclid=IwAR1mNiV5BhKRT6C-xTKPHO1M30tmcdvMccBg8FEvFth7G5mzZblkFSei-NU

COLÓQUIO/Letras (Jan 2022): A Voz na Literatura

COLÓQUIO LETRAS
N.º 209 (Janeiro 2022)
A Voz na Literatura

Não há literatura sem um processo de inscrição material que faz de cada signo uma coisa no mundo fenomenal, para ser vista antes de ser lida, e para ser lida (em silêncio ou não). Ou então, para ser dita, o que é uma outra forma de inscrição material, precedendo e dispensando a escrita ou seguindo-se a ela.
Os artigos do núcleo principal deste número exploram algumas dimensões do fenómeno literário afetadas pela voz enquanto medium da literatura. Não se trata de buscar um privilégio da Origem para o estudo da dimensão vocal do fenómeno literário, mas sim de admitir a relevância de tal estudo para uma versão mais completa, simultaneamente moderna e arcaica, de literatura. As dimensões da voz são estudadas em obras de Homero, Gil Vicente, Camões, Manuel Bandeira, Augusto de Campos e José Emílio-Nelson, respetivamente por José Manuel Cuesta Abad, Nuno Meireles, Matheus de Brito, Osvaldo Manuel Silvestre, Eduardo Sterzi e Pedro Serra.

[sumário]

Na secção de documentos, Mariana Maurício revela um conjunto de cartas que a pianista Maria da Graça Amado da Cunha (1919-2001) — notável intérprete das obras de Fernando Lopes Graça — escreveu aos amigos. Um deles, Alberto de Lacerda, lamentou “que Maria da Graça não tenha escrito memórias”: “conheceu, por assim dizer, toda a gente, de todas as gerações, gente célebre e menos célebre, de Casais Monteiro a Isabel da Nóbrega, de Jorge Peixinho a Manuel Dias da Fonseca e Arminda Correia, de Louis Saguer a João Gaspar Simões e Emmanuel Nunes, compositor que muito admirava. A lista seria interminável”. Ora, essas memórias ou essa autobiografia, embora não publicada, está nas mais de mil páginas enviadas por Amado da Cunha ao poeta e aos correspondentes que manteve entre 1934 e 2000, e de que Mariana Maurício nos apresenta agora uma amostra (em cartas para Ilse Losa, José Rodrigues Miguéis e Alberto de Lacerda).

Para ilustrar o número, João Penalva criou a série O Telefone de Jean Heiberg.

Podcast Vox Lit – Episódio 3

Vox Lit – um podcast que põe a literatura a falar

Vox Lit é o podcast que dá a ouvir a voz das materialidades da literatura. Um desafio entre exploração e divulgação da nossa constelação matliteana.

Vox Lit é uma iniciativa Vox Media com participação ativa de outros estudantes e doutorados do Programa Doutoral FCT em Materialidades da Literatura.

Episódio 3:
carta falada (Elizama Almeida)
Técnica e Utopia (Ana Marques)
Hipoglote (Tiago Schwäbl)
Comprimido de Leitura (Mafalda Lalanda e Elena Soressi)
Vozes de Gil Vicente (Nuno Meireles)

“Rimas e Batidas”: hip hop no presente

Na rádio Antena 3 (Portugal), emite-se de 2ª a 6ª a rubrica “Rimas e Batidas”.

Da autoria de Rui Miguel Abreu, o programa tem abordado alternadamente Batidas sem rimas e Rimas com batidas, essa poesia cantada em forma de hip hop.

Desde 26 de Set 2016, fizeram-se mais de 1200 episódios até à data, com duração aproximada de 5 minutos por episódio.

O programa leva-nos ao sítio Rimas e Batidas, de que é director e editor o mesmo Rui Miguel Abreu. Rimas e Batidas.pt apresenta-se como

revista digital sobre música criativa e desafiante: a que se estende entre o hip hop e a electrónica, entre África e o jazz, entre a dança e a contemplação e mais além.

“Poesia pros ouvidos” podcast de poesia brasileira

“Poesia pros ouvidos” é um podcast de “poesia brasileira contemporânea por seus autores”.

Gravações dos poemas nas vozes dos autores.

Podcast de Rodrigo Luiz P. Vianna ( https://www.instagram.com/folk3/ )
Seleção e edição de Michaela Schmaedel ( https://www.instagram.com/michaela_schmaedel/ )

Mais informações no perfil do instagram https://www.instagram.com/poesiaprosouvidos/

Pode (e deve) ser escutado aqui

Possibilidades estéticas, tecnológicas e institucionais da voz nos estudos literários

No passado dia 20 de julho de 2021, Osvaldo Manuel Silvestre fez a apresentação de “Possibilidades estéticas, tecnológicas e institucionais da voz nos estudos literários”, em debate com Pedro Serra.

Moderação de Diana Klinger.

“No âmbito do Programa Doutoral em Materialidades da Literatura, o projeto VOX MEDIA:A Voz na Literatura, um dos três em que nesse Programa se encontra organizada a pesquisa,responde às solicitações de um objeto a um tempo presente e ausente da própria ideia de literatura. Nos seus quase 10 anos de trabalho, o projeto acolheu já trabalhos de tese de doutoramento, colóquios, publicações (algumas em curso), mas também performances,espetáculos, transferências e, por último, um podcast regular. A fala tentará apresentar todas estas dimensões de um trabalho assumidamente cosmopolita e internacional, bem como as suas implicações numa ideia disciplinar de literatura e estudos literários ou, se se preferir,numa ideia de instituição.”

Tratou-se de uma iniciativa da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, que condensou as possibilidades de estudos em Vox Media.